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A Escola Franca: uma jornada de evolução

A Escola Franca: uma jornada de evolução

 

Por Nelson Marinelli Filho

Apresentação

Eric Hobsbawm foi uma figura marcante do século XX, não apenas pela acuracidade do seu trabalho como historiador, mas também/principalmente por sua capacidade de ordenar/alinhar a essência humana em transformação aos eventos que deram forma a história moderna e contemporânea. A sua obra A Era dos Extremos é essencial para entendermos as raízes de todas as dificuldades que enxergamos atualmente, neste momento de transição de uma sociedade orientada à expansão do consumo e da produção, ou vice-versa para um novo patamar. Agora, orientado ao propósito.

Na vastidão de sua obra, um elemento chama a atenção por sua transversalidade. Ou seja, não importa o tema central em discussão este elemento, ou criação, sempre surge: a importância para a humanidade da institucionalização da escola, como catalizador de nossas capacidades únicas como espécie dominante no planeta terra. Temporalmente, este conceito toma forma com a publicação do Public Act School em 1867 no Reino Unido.

Foi a institucionalização da escola, como ação coordenada da sociedade para formar os filhos dos trabalhadores no início da fase fabril da Revolução Industrial, que deu forma ao nosso modo de vida atual em um nível de riqueza inédito em nossa história. É bem verdade que este padrão trouxe outros problemas que estão em intensa difusão neste momento.

Em outras palavras, foi a escola tradicional, de quatro paredes, carteiras voltadas para o professor e o quadro de giz, que nos trouxe até aqui, não só distribuindo, ou criando riqueza, mas elevando a nossa expectativa de vida significativamente e promovendo a diversidade. É bem verdade que a última parece acontecer em ritmo bem mais lento, mas na verdade é o problema mais amplo e complexo que a escola enfrenta.

Em suma, a escola é a maior invenção da humanidade.

A grande pergunta é, então, não sobre o valor da Escola, mas sim por que não gostamos dela. E esta é uma afirmação muito fácil de ser provada, basta ir ao google e digitar “School Makes me feel…”, o equivalente em inglês de “a escola me faz sentir…”. Observe como o próprio Google sugere a busca (figura 1).

É assustador.

Em um primeiro momento, em nossa orientação linear de buscar soluções a partir de uma sequência de causa e efeito, muito provavelmente iremos pensar e falar que a escola tem que mudar radicalmente. Que precisamos, por meio da tecnologia, transformar a escola, criar algo novo e muito diferente do que é agora e não está funcionando.

Na verdade, é o mesmo comportamento que observamos quase diariamente nos jornais e na mídia quando é publicado o resultado de alguma pesquisa do IBGE, o resultado do ENEM, ou até mesmo nosso desempenho no Pisa. Destruir e começar de novo.

Será que o país que produziu educadores como Paulo Freire, não sabe nada sobre educação e deve começar tudo novamente, copiando modelos importados?

Acho que não. E acredito que vocês também não.

A questão-chave, neste processo de buscar entender o valor absoluto da escola, é de entender o que ela é e por que existe.

Este será nosso objeto de discussão neste blog.

 

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