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Por que as escolas precisam adotar uma cultura de aprendizagem ativa?

POR NELSON MARINELLI FILHO
Algumas observações sobre as dificuldades dos educadores perante os desafios atuais de nossa dinâmica social globalmente conectada.

Neste mês de maio aconteceu, em São Paulo, a Bett Educar Brasil que é, muito provavelmente, a feira de negócios em educação mais bem estruturada a que temos acesso, sem ter que nos deslocarmos ao exterior. A entrada é gratuita e é uma experiência que recomendo para, obviamente, diretores e professores, mas também para os pais de alunos que estão iniciando o segundo ciclo do ensino fundamental.

Os estandes de exposição muito bem montados, produtos com excelente apresentação e equipes acuradamente treinadas, apesar de algumas exceções esperadas de “lobo em pele de cordeiro”. E alguns produtos realmente inovadores.

Eu fiquei por quase um dia todo na exposição, na quinta-feira. Percorri toda a exposição, logo que abriu, depois, me reuni com dois clientes que estavam expondo e, quando acabei, visitei meus amigos e gastei um bom tempo voltando aos pontos que identifiquei e achei interessante! De tudo, disparadamente o que me chamou mais atenção foi o “micro:bit”, desenvolvido pela BBC e disponibilizado em um excelente empacotamento por algumas empresas brasileiras.

As pessoas que me conhecem, além de um resumo no LinkedIn, sabem que sou extremamente observador, tanto do ambiente, dos detalhes e, sobretudo, das pessoas. E é sobre a percepção que formei do evento que quero compartilhar alguns “insights” com vocês.

O primeiro ponto que me chamou a atenção é óbvio, mas fundamental para a nossa discussão: quase que simetricamente o espaço estava dividido entre sistemas tradicionais de ensino, lutando para colocar seus conteúdos em ambientes virtuais de aprendizagem, e algo que podemos chamar de “cultura maker”, com robôs, impressoras 3D, sistemas lúdicos de aprendizagem de código, etc.

Antes de continuarmos, um alerta: A fumaça que sai das impressoras 3D é plástico queimado, ou seja, contêm elementos cancerígenos! Então, impressoras 3D, que são fundamentais para a aprendizagem dos alunos, têm que ficar em capelas, como nos laboratórios de química!

Muito bem, depois da bronca … kkkk, o outro ponto é mais sutil: o medo dos educadores, professores e diretores era claramente perceptível, se você tivesse conseguido ter esta primeira percepção que citamos. Porque era nítido o distanciamento dos educadores dos estandes da “cultura maker”.

Havia um bom espaço, um apêndice do principal, na entrada dos auditórios das palestras menores e dos workshops, onde ficavam as “startups” e a grande concentração de expositores deste tipo de material. No centro deste espaço estava a FABER-CASTELL, com um estande muito bonito como esperado e atividade lúdicas utilizando seus materiais que, diga-se de passagem, são sempre excelentes.

O estande da FABER-CASTELL estava lotado, com fila para entrar e os outros vazios. Educadores fenomenais, com conhecimento de estado da arte da aprendizagem ativa, de braços cruzados, enquanto os educadores visitantes faziam fila para pintar com giz de cera!

Pintar com giz de cera é muito importante … para as crianças e não para os educadores, que têm acesso facilitado a todo esse tipo de material e não precisam ir a uma feira em São Paulo para tê-los a sua disposição. A própria FABER-CASTELL cuida disso muito bem.

Mas deixar de aproveitar a chance de conhecer novas estratégias de aprendizagem, por falta de familiaridade, receio de parecer inadequado, ou simples medo, me parece um absurdo sem tamanho.

Este comportamento que observei é apenas uma percepção, mas que pode ser comprovada pela simples avaliação das estatísticas de visitação da feira. Obviamente, os organizadores não vão divulgá-las, mas basta comparar o preço de um estande próximo a FABER-CASTELL no próximo ano, com um ao lado da LEGO EDUCATION.

Vamos lá, em três atos. Onde está o ponto real de desconforto desses educadores?

Metade da feira tinha produtos tradicionais disciplinares, ou seja, empacotamentos muito bem definidos de conteúdo similares … Matemática, Física, Biologia e por aí vai. A outra metade, que nos chamou a atenção, de produtos intra e interdisciplinares e nossos educadores, assim como a maioria de nós que não nos alfabetizamos sob a tutela do 4G, não estão preparados para trabalhar dessa forma. Naturalmente, se sentem desconfortáveis, com receio, medo e vão em direção de suas zonas de conforto … em nosso caso o estande da FABER-CASTELL.

A resolução desse problema não é difícil e até já bem conhecida … mas precisa de propósito, porque trata de uma mudança de cultura um pouco desconfortável para muitos educadores, mas muito prazerosa.

Construir em sua escola, ou instituição de ensino, uma Cultura de Aprendizagem Ativa que realmente coloque o aluno no centro do processo de aprendizagem, como protagonista. Isto requer planejamento, construção de ambientes adequados, capacitação real dos professores no uso das metodologias ativas de aprendizagem e, finalmente, a adoção correta das modernas tecnologias de aprendizagem. Não como fim, mas como veículo.

Este é o momento de tirar Paulo Freire da estante e colocar em ação. Ele escreveu para o mundo que temos hoje e não para o de ontem, porque agora a única forma de salvarmos o valor da Educação é torná-la significativa.

Nesta série postagens de nosso blog iremos tratar desses passos. Convidamos você a nos acompanhar e colocar, sem medo, suas considerações.

Só para terminar: O 4G é um marco para a educação e nossa sociedade porque não éramos conectados realmente antes dele. Ou alguém conseguia assistir um vídeo no celular 3G de flip? E me diverti muito no estande da FABER-CASTELL, achei uma experiência incrível, aprendi muito e ano que vêm vou de novo.

Obrigado a todos.

Profº Dr. Nelson Marinelli Filho

CLO CETESA

nelson@ativecon.com.br

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